Texto por Colaborador: Redação 19/02/2026 - 04:00

Com o 2 a 0 sobre a Atalanta no jogo de ida das playoffs da Liga dos Campeões, o Borussia Dortmund colocou um pé na fase seguinte da competição. Mais do que uma conquista esportiva, a permanência no torneio tem implicações financeiras e estratégicas profundas para o clube — e o próprio diretor executivo Carsten Cramer não hesitou em deixar isso claro.

Cramer falou pela primeira vez em sua nova função na Spobis, o maior congresso mundial de negócios esportivos, realizado anualmente na Alemanha. Na ocasião, com a presença de Frank Hellmann da Sportschau, o dirigente conduziu uma análise franca sobre a realidade do BVB, mesmo sem responder diretamente à pergunta-tema do painel: "Quantos milhões faltam ao Dortmund para ser campeão?"

O executivo definiu o Borussia como o "segundo farol do futebol alemão", sustentado por uma base sólida. Na sua visão, nenhum outro clube alemão consegue ocupar de forma consistente a posição de vice-líder atrás do Bayern de Munique. Os demais até apresentam bons momentos, mas acabam recuando por diferentes razões. "Estamos há muito tempo em alto nível", afirmou.

Um ponto central da fala de Cramer foi a importância da Liga dos Campeões. A participação na competição rende ao clube até 100 milhões de euros por temporada — valor que representa uma fatia relevante dos mais de 500 milhões de euros que o BVB movimenta anualmente. Esse dinheiro não é o único fator para o sucesso esportivo, mas é indispensável para investir de forma mais precisa tanto na equipe quanto na infraestrutura.

A Bundesliga continua sendo, nas palavras do dirigente, o "pão com manteiga" do clube. Mas o BVB enfrenta uma desvantagem estrutural: Dortmund não é capital de estado, nem uma grande metrópole. Com apenas 600 mil habitantes e uma economia relativamente modesta, o clube não pode praticar os mesmos preços de catering ou de ingressos que seus concorrentes em outras praças. Essa diferença precisa ser compensada no plano internacional.

Por isso, figurar regularmente entre os 20 clubes com maior faturamento do mundo não é algo que Cramer toma como garantido. "Não é uma obviedade", enfatizou. E as receitas da Champions League são, para o BVB, o principal instrumento para manter esse nível de competitividade.

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