Reprodução BVB TVA Deutsche Fußball-Liga (DFL) pretende dar um passo importante em direção ao controle financeiro dos clubes. Além da criação de uma liga sub-21, a próxima assembleia de membros, marcada para 3 de março, incluirá votação sobre a implementação de novas normas para gerenciamento de gastos com elencos.
Conforme apurou o jornal Kicker, os 36 clubes da Bundesliga e da segunda divisão deverão decidir sobre a adoção de uma regra de custos de elenco que terá como base os princípios de sustentabilidade financeira da UEFA. A principal diferença estará no sistema de sanções, que na Alemanha será claramente definido, ao contrário do modelo aplicado pela confederação europeia.
No âmbito da UEFA, acordos frequentemente enfraquecem o sistema, resultando em punições aparentemente simbólicas para clubes bancados por bilhões de dólares de investidores estatais ou oligarcas, como Manchester City e Chelsea. Os Blues, por exemplo, receberam recentemente multa de 31 milhões de euros e a exigência de manter saldo positivo nas transferências, o que pode ser facilmente contornado através de redes de clubes múltiplos como a operada pela BlueCo, proprietária do Chelsea.
Atualmente, a DFL regula as finanças por meio de análise de liquidez e regra de capital próprio. Embora isso garanta certa sustentabilidade e evite insolvências, não impediu que clubes inundados por capital de investidores, como o Hertha BSC durante o desastroso período Windhorst, aplicassem milhões de forma imediatista quase que exclusivamente na contratação de estrelas caras, inflando drasticamente os custos de elenco em detrimento da perspectiva de médio prazo. O declínio do clube berlinense entre 2019 e 2024 ilustra bem essa situação, assim como o caso do Schalke 04 nos anos 2010, quando o modelo financeiro dependia de classificação à Liga dos Campeões e se tornou tóxico ao falhar nesse objetivo. Cabe ressaltar que ambos os clubes, sob nova gestão, agora trilham caminho de recuperação.
A proposta do grupo de trabalho estabelecido pela presidência da DFL, composto pelo co-diretor executivo Dr. Marc Lenz e pelos representantes Anne Baumann (Darmstadt 98), Christina Rühl-Hamers (Schalke 04), Florian Hopp (RB Leipzig), Eric Huwer (Hamburger SV), Fabian Otto (Bayer Leverkusen) e Thomas Treß (Borussia Dortmund), é a seguinte: os clubes poderão investir no máximo 70% de suas receitas relacionadas ao esporte na folha de pagamento licenciada. Aportes de investidores, como os realizados recentemente por Dietmar Hopp no TSG Hoffenheim, serão excluídos do cálculo de receitas. Além disso, patrocínios elevados vindos de acionistas e empresas relacionadas, casos da Red Bull, Bayer e VfL Wolfsburg, serão avaliados quanto à conformidade com valores de mercado, seguindo modelo semelhante ao da UEFA.
Além de promover estabilidade econômica, a medida visa incentivar investimentos de longo prazo, como em centros de formação de base, e fortalecer a regra 50+1. Para não prejudicar a competitividade europeia de clubes que atuam internacionalmente e recompensar instituições financeiramente saudáveis com alto patrimônio líquido, estas receberão sanções atenuadas, o que também beneficiará a disputa nacional. Em média, os clubes alemães atualmente destinam cerca de 55% de suas receitas à folha de pagamento licenciada, porém há aproximadamente três ou quatro casos por temporada que chegam perigosamente perto do limite de 70%.
Na segunda-feira, durante recepção de Ano Novo da DFL, o porta-voz do presidium Hans-Joachim Watzke, ao lado de Lenz e do colega Dr. Steffen Merkel, havia defendido sanções esportivas para violações das regras financeiras da UEFA. Agora a liga alemã apresenta sua resposta, querendo fazer diferente dos colegas de Nyon. Na Alemanha haverá catálogo de punições claramente definido, prevendo inicialmente sanções financeiras e, para reincidentes, dedução de pontos até proibição de registro de novos jogadores, equivalente a um embargo de transferências. Caso os clubes aprovem o pacote no início de março, a implementação ocorrerá a partir da temporada 2027/28 com sanções reduzidas de natureza apenas monetária, entrando em vigor completo a partir de 2028/29.
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