Texto por Colaborador: A. Rother 06/08/2026 - 02:00

Gianni Infantino pediu desculpas por "erros" cometidos no polêmico plano de vender participações em competições da Fifa para investidores privados, mas continuará no comando da entidade máxima do futebol mundial após receber o apoio de dirigentes de peso em uma reunião realizada em Marrocos.

O presidente convocou os integrantes do conselho de administração para um encontro no escritório africano da Fifa, em Rabat, nesta quarta-feira, em meio à crescente onda de críticas ao projeto que acabou abortado. Quatro horas depois do fim da reunião, a entidade divulgou um comunicado reafirmando o apoio a Infantino.

Uefa perdeu a confiança
No fim de semana, a Uefa, entidade que comanda o futebol europeu, afirmou ter perdido a confiança em Infantino, classificando a proposta batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE) como "um acordo vergonhoso, feito nos bastidores e sem transparência".

Boa parte das críticas, no entanto, partiu de dentro da própria Fifa. O secretário-geral Mattias Grafstrom, presente à reunião de quarta-feira, chegou a escrever em um memorando interno enviado aos funcionários da entidade na terça-feira que a situação representa "uma sequência triste e repreensível de acontecimentos".

Ainda assim, em comunicado divulgado após o encontro, Grafstrom e os demais membros do conselho de administração "reafirmaram total apoio" a Infantino como presidente. Os dois, inclusive, enviaram uma carta assinada — que teve acesso confirmado pela BBC — aos vice-presidentes, ao conselho e às 211 federações filiadas à Fifa, na qual afirmam que "pedem sinceras desculpas" pelos erros cometidos e "se comprometem a que eles não se repitam". Após a reunião, ambos foram fotografados juntos assistindo a uma partida da Copa Africana de Nações Feminina, também em Rabat.

A proposta que gerou a crise
Infantino havia oferecido US$ 40 milhões (cerca de £ 30 milhões) a cada federação filiada caso apoiassem a proposta de abrir espaço para investimento privado nos torneios organizados pela Fifa — incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina — por meio de uma nova subsidiária, a própria FFE.

Em seu comunicado, a Fifa afirmou que, durante a reunião de quarta-feira, os "erros" relacionados à FFE foram "reconhecidos", esclarecendo que "não era a intenção" fazer com que o conselho e as federações filiadas "se sentissem excluídos do processo, e que ele deveria ter sido conduzido de forma diferente".

A entidade acrescentou ainda ter "reconhecido que também foram cometidos erros depois que a proposta vazou para a imprensa" — o jornal britânico The Times revelou o plano de Infantino em 28 de julho. Apesar disso, o comunicado também deixou um recado firme: a Fifa "não tolerará mais nenhum ataque à sua integridade, à boa governança e ao devido processo, e tomará todas as medidas necessárias para proteger e resguardar seu nome e sua reputação".

Antes disso, a Fifa já havia negado outra reportagem do The Times, segundo a qual Infantino teria prometido ao Marrocos a sede da final da Copa do Mundo de 2030 em troca de apoio ao projeto. A entidade classificou a informação como "falsa e enganosa", afirmando que a decisão sobre o local da final — torneio que também será sediado por Espanha e Portugal — será tomada "no momento oportuno".

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