Reprodução / TVO número impressiona, mas resume bem o que se viu em campo nos minutos finais da semifinal da Copa do Mundo entre Inglaterra e Argentina. Depois de abrir o placar aos 55 minutos, os ingleses recuaram de forma extrema e chegaram a ter apenas 12% de posse de bola até o gol de empate argentino, aos 85 minutos.
A vaga na final escapou das mãos da Inglaterra de maneira considerada evitável, e boa parte da crítica recaiu sobre as substituições feitas pelo técnico Thomas Tuchel. As três primeiras alterações do treinador foram todas defensivas — caso da entrada do zagueiro Ezri Konsa, autor, ironicamente, de um dos gols. A retaguarda montada depois disso, sobretudo após a entrada de um desajeitado Dan Burn, ficou completamente desorganizada e praticamente presenteou a Argentina com dois gols nos minutos finais.
Ao fim da partida, Tuchel se explicou: "Não achei que substituições ofensivas ajudariam. É claro que depois sempre tem gente que acha que sabe mais. Assumo a responsabilidade."
A repercussão na imprensa inglesa foi imediata. O editor-chefe do The Independent chegou a classificar as trocas do treinador como "quase motivo para demissão". Comentaristas ingleses evitaram ir tão longe, mas também não pouparam críticas ao técnico alemão.
Wayne Rooney foi direto à BBC: "Quando você é um jogador de ataque em campo, vencendo por 1 a 0, e vê as substituições que o técnico faz, você perde a fé – você só pode se dar a esse luxo algumas vezes." Segundo o ex-atacante, os sinais passados por Tuchel de fora de campo teriam feito os próprios jogadores ingleses se questionarem: "Vamos ficar tanto tempo afastados. Como vamos sobreviver a isso?" Rooney ainda avaliou que a postura adotada pela seleção "praticamente estava pedindo para ter problemas com Messi e a Argentina".
Gary Lineker, como de costume incisivo, considerou "absolutamente incompreensível que eles optassem por jogar com seus jogadores recuados contra o maior jogador de futebol de todos os tempos".
Thomas Müller, que já foi comandado por Tuchel, também opinou sobre a polêmica em vídeo publicado nas redes sociais: "Não consigo acreditar e não entendo como a Inglaterra abordou o jogo depois de abrir o placar. Não consigo compreender como eles permitiram que os argentinos cruzassem a bola uma após a outra de posições ideais."
Foi justamente Lionel Messi quem decidiu o confronto, arrancando reações tanto de torcedores ingleses quanto de especialistas. Alan Shearer comentou que Tuchel "revelou suas intenções logo no início", ponderando ainda: "No entanto, é diferente recuar contra equipes como a Noruega ou o México, como fizemos. Essas equipes não têm a qualidade que a Argentina possui em termos de habilidade com a bola e capacidade de punir o adversário."
Michael Owen, por sua vez, apontou falta de coragem por parte dos ingleses, comparando com o que havia visto um dia antes: "Vejam a Espanha com 1 a 0. Isso é coragem. Isso é bravura. E depois vejam a Inglaterra com 1 a 0. Onde está a diferença? Somos uma equipe melhor que a Argentina, não tenho dúvidas disso. Mas, no fim das contas, merecemos a derrota. Aliás, poderia ter sido 4 a 1." O ex-atacante também criticou a mensagem transmitida pelas trocas defensivas de Tuchel: "Enquanto não entendermos que coragem e bravura consistem em controlar a bola sob pressão, em vez de chutá-la ou cabeceá-la 50 metros para frente, esse será sempre o resultado final."
Kyle Walker, que encerrou a carreira pela seleção ainda na primavera, repetiu o discurso e afirmou não enxergar evolução em relação à era do antecessor de Tuchel, Gareth Southgate: "É a mesma história que tenho vivido nos últimos dez anos da minha carreira. Quando você joga pela Inglaterra, sempre há um 'se', um 'mas' e um 'talvez'."
Já Micah Richards, ex-jogador do Manchester City hoje na bancada de comentaristas, foi além da crítica e apontou alternativas concretas: "Tuchel tomou a decisão errada hoje. E ele precisa aceitar isso. Assim que abrimos o placar, não tínhamos ninguém para jogar no ataque. Kane estava completamente exausto. Gostaríamos de ter visto Ollie Watkins em campo, alguém que possa fazer infiltrações na defesa e nos impulsionar para o ataque."
No fim, a Inglaterra optou por se recolher em campo — e acabou pagando o preço por essa escolha.
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