Texto por Colaborador: A. Rother 15/04/2026 - 03:00

Depois de semanas de negociações, o Borussia Dortmund finalmente anunciou a renovação contratual de Nico Schlotterbeck. O zagueiro de 26 anos assinou por mais quatro anos, com vínculo válido até junho de 2031. No entanto, a notícia veio acompanhada de uma informação que agitou a torcida: o defensor teria garantido uma cláusula de rescisão que poderia abrir caminho para uma saída ainda neste ano. Agora, novos detalhes sobre essa cláusula vieram à tona — e prometem pouco conforto para os fãs do clube.

De acordo com informações do Bild, a cláusula só pode ser acionada até a data da final da Copa do Mundo, em 19 de julho, e apenas por três clubes específicos: Real Madrid, Liverpool e um terceiro que não foi identificado. O valor previsto para uma possível transferência gira entre 50 e 60 milhões de euros.

Watzke defende o modelo e normaliza as cláusulas de saída

Hans-Joachim Watzke, presidente do BVB, confirmou a existência da cláusula e defendeu sua adoção como uma prática corrente no futebol moderno. Em entrevista ao Ruhr Nachrichten, ele afirmou: "O tema das cláusulas de saída nós chegamos a descartar aqui doze, treze anos atrás. Mas hoje é o 'estado da arte'. O Bayern de Munique faz isso, assim como Paris ou quem quer que seja. Hoje quase não existe de outra forma."

Segundo ele, os valores de transferência tornaram esse tipo de mecanismo praticamente inevitável: "As somas de transferência tornaram-se tão enormes que você não pode mais cometer grandes erros — e tampouco deixar um jogador desse nível sair sem receber nada."

Watzke ainda ressaltou que, caso Schlotterbeck deixe o clube no verão, a receita obtida será maior do que teria sido antes da renovação e sem a cláusula.

Kohler não poupa críticas ao acordo

Quem vê o assunto com outros olhos é Jürgen Kohler, um dos maiores ídolos da história do BVB. O ex-zagueiro, que defendeu as cores do clube entre 1995 e 2002 e conquistou dois títulos do Campeonato Alemão e a Liga dos Campeões de 1997, foi duro em sua avaliação. Em entrevista à Sport1, o campeão mundial de 1990 declarou: "Sendo bem honesto: uma cláusula de saída não é para mim um comprometimento claro. Não é amor de verdade. Você renova — mas ao mesmo tempo já planeja o próximo passo. Isso não é um sinal de força."

Kohler foi ainda mais longe ao criticar a postura do clube como um todo: "Você tem agora um jogador de alto nível — mas com uma estratégia de saída embutida. Nessas situações, muitas vezes não há um vencedor de verdade. No Borussia Dortmund, tenho muitas vezes a sensação de que se reage mais do que se age. Se você sempre já contabiliza a próxima saída, nunca vai chegar ao topo. Um jogador de elite não deveria sequer ter a sensação de que precisa se transferir para dar o próximo passo."

Kohler também repudiou as vaias que parte da torcida dirigiu a Schlotterbeck na derrota por 1 a 0 para o Bayer Leverkusen na última rodada: "Entendo a frustração, mas em fases críticas um jogador precisa de apoio — não de mais agitação. No fim, isso não ajuda nem a ele nem ao time."

Watzke, por sua vez, também se pronunciou sobre os vaias, defendendo o zagueiro: "Não podemos e não queremos proibir as pessoas de vaiar. Mas acredito que podemos dizer que consideramos as vaias contra um de nossos jogadores injustificadas. Nico se comportou de forma sempre muito correta durante toda a fase das negociações contratuais."

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