Texto por Colaborador: A. Rother 13/06/2026 - 02:00

Uma mistura de ruído na comunicação com o incômodo natural de qualquer atacante ao ser confrontado fora das quatro linhas. O fato é que Fábio Silva demonstrou claro descontentamento ao ser interpelado sobre seu retrospecto de bolas na rede na metade de março, logo após o triunfo do Borussia Dortmund diante do Hamburgo. "Podemos falar de gols, mas também podemos falar de assistências", rebateu o atleta, visivelmente incomobado com a imprensa na zona mista. Ele ainda completou pontuando que, mesmo não sendo o principal goleador do elenco, figura com certeza entre os maiores garçons do grupo.

Fica nítido que o tema toca em uma ferida, tanto no que diz respeito ao rendimento do jovem português ao longo da jornada quanto na visão que ele tem de si mesmo. Foram somente três tentos assinalados em sua temporada de estreia pelo Borussia Dortmund, balançando as redes contra Copenhague, Leipzig e Freiburg. Para quem exerce a função de frente — e custou algo em torno de 22,5 milhões de euros aos cofres alemães junto ao Wolverhampton Wanderers —, o número é baixo. Apesar disso, o ano do jogador de 23 anos passou longe de ser um desastre completo se analisado além das estatísticas de artilharia.

Como o próprio atacante ressaltou, o peso dos passes decisivos e a participação na engrenagem ofensiva precisam entrar na balança. Sob uma ótica mais detalhada, a importância do português no setor de frente do Dortmund ganha força. Na Bundesliga, ele serviu seus companheiros diretamente em seis oportunidades, ficando atrás apenas de Julian Ryerson, com 15, e Maximilian Beier, com 9. O aproveitamento chama atenção porque tanto o defensor norueguês, com 2267 minutos em campo, quanto o ponta, com 2024, atuaram muito mais tempo que Silva, que teve somente 816 minutos. Ainda assim, ele superou Karim Adeyemi e Julian Brandt, ambos com 4 assistências, mesmo tendo jogado menos que os dois concorrentes.

Essa produtividade é fruto direto da sua postura tática. Ao contrário de Serhou Guirassy, que atua fixo na grande área, Silva prefere rodar o campo, acionar os companheiros como um meia de armação clássico ou cair pelas pontas para arrastar a marcação. Essa dinâmica beneficia o coletivo, mas diminui sua presença na área e o obriga a percorrer distâncias maiores até o momento da finalização.

A expectativa da diretoria e do próprio atleta para este segundo ciclo é de crescimento, mirando uma sequência superior aos dez compromissos como titular obtidos na última temporada. "Cheguei lesionado, o clube e a cidade eram novos para mim, é preciso levar tudo isso em consideração", justificou Silva. "Eu sabia que o primeiro ano seria assim." Ele lembrou que o elenco do clube possui peças de altíssimo nível, especialmente no setor de ataque. O jogador fez questão de desmentir os boatos sobre uma possível transferência precoce e garantiu foco total na reapresentação: "Assinei por cinco anos, não por um."

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