Texto por Colaborador: A. Rother 12/09/2026 - 04:00

Mais de oito anos depois de deixar o comando do Borussia Dortmund, Peter Bosz voltou a falar sobre um dos momentos mais decisivos de sua breve passagem pelo clube alemão. O atual treinador do PSV Eindhoven atribui a resistência interna de alguns jogadores como um dos motivos que fizeram o time perder o controle da temporada logo após um início avassalador em 2017.

Bosz assumiu o Dortmund no verão de 2017, no lugar de Thomas Tuchel, e o começo do trabalho foi excelente. Em uma masterclass concedida à emissora Omroep Brabant, o holandês relembrou aquele momento com detalhes, contando que o time venceu as cinco primeiras partidas do campeonato e chegou a liderar a tabela com cinco pontos de vantagem sobre o Bayern de Munique.

Para o treinador, o ponto de virada foi o confronto pela Liga dos Campeões contra o Real Madrid, quando o Dortmund sofreu uma derrota por 3 a 1 diante de sua própria torcida. A partir daquele resultado, segundo Bosz, alguns jogadores mais influentes do elenco passaram a questionar abertamente a proposta de jogo ofensiva que ele vinha implementando.

O confronto interno após a derrota para o Real Madrid
Bosz relatou que o zagueiro Sokratis Papastathopoulos se reuniu com o goleiro e com um volante do time para discutir a derrota. A reação do grupo, segundo o treinador, foi direta: eles diziam que o técnico era completamente louco, que a equipe jogava de forma ofensiva demais e que bastava olhar o resultado — três gols sofridos — para comprovar isso.

Naquela partida contra o Real Madrid, Roman Bürki estava no gol e Nuri Sahin atuava no meio-campo defensivo, embora Bosz não tenha revelado publicamente a identidade dos dois jogadores que acompanharam Sokratis na crítica, citando apenas o nome do zagueiro grego de forma explícita.

Uma queda que não parou mais
Segundo o treinador, esse episódio teve consequências diretas dentro do grupo, que começou a se desintegrar internamente. A sequência de resultados comprova a gravidade da crise: depois da derrota para o Real Madrid, o Dortmund venceu apenas duas das 14 partidas seguintes sob o comando de Bosz. No início de dezembro de 2017, poucos meses depois de assumir o cargo, o holandês foi demitido.

Hoje, olhando para trás, Bosz reconhece que o principal erro foi a forma como lidou com os jogadores que o criticavam. Em vez de tentar dialogar com eles, o treinador afirma que deveria ter agido de maneira muito mais firme e imediata, cortando o problema pela raiz assim que ele surgiu — sem sequer abrir espaço para conversa, apenas afastando os responsáveis do grupo na hora.

Após deixar o Dortmund, Peter Bosz passou por clubes como Bayer Leverkusen e Olympique de Lyon antes de assumir o comando do PSV Eindhoven, onde está desde 2023.

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