Texto por Colaborador: A. Rother 29/03/2026 - 04:00

A venda de Jamie Gittens ao Chelsea, no verão passado, rendeu cerca de 65 milhões de euros ao Borussia Dortmund e foi comemorada publicamente como um negócio bem-sucedido. Nos bastidores, porém, a transferência acendeu uma faísca que já revelava rachaduras profundas na relação entre os dirigentes do clube.

Segundo o jornal Bild, Sebastian Kehl e o diretor executivo Lars Ricken travaram uma disputa velada pelo crédito da operação, com cada um fazendo questão de destacar, junto a parceiros da indústria, o quanto havia sido determinante para o desfecho do negócio.

Em declaração oficial, Ricken afirmou: "Descobrimos o Jamie muito cedo, praticamente o contratamos por nada, o desenvolvemos continuamente no nosso centro de formação e ainda lhe demos espaço para jogar no mais alto nível entre os profissionais." Para ele, a transferência foi "extraordinariamente valiosa" para o BVB. Do outro lado, Kehl fez questão de marcar território: "As negociações com o Chelsea foram desafiadoras, mas no final estamos satisfeitos por termos conseguido concretizar nossas expectativas financeiras."

O Bild apurou ainda que, nos meses finais da gestão de Kehl, instalou-se um clima de desconfiança entre os dois dirigentes. Agentes de jogadores chegaram a se surpreender quando percebiam que Ricken e Kehl não tinham conhecimento das conversas que o outro estava conduzindo.

O estopim do conflito, no entanto, tem raízes anteriores. Em maio de 2024, Lars Ricken foi promovido de coordenador das categorias de base a diretor executivo de futebol — uma posição que Sebastian Kehl também almejava. A partir daí, a relação entre os dois teria apresentado "grandes fissuras", segundo o jornal.

A despedida de Kehl, após mais de duas décadas ligado ao clube como jogador e dirigente, foi marcada pela frieza: apenas um comunicado breve. Em sua nota, ele mesclou agradecimentos ao clube e à torcida com a ideia de que ambos os lados sentiram que era hora de seguir caminhos diferentes.

Um detalhe revelador veio à tona recentemente por meio de Roman Weidenfeller. O goleiro da equipe de lendas do BVB contou que tentou convidar Kehl para o jogo contra o Benfica, em 25 de março, mas levou um não. De acordo com Weidenfeller, o distanciamento ainda estava fazendo bem ao ex-companheiro naquele momento: "Acho que ainda estava próximo demais da decisão." Para o futuro, no entanto, o goleiro disse que consegue "imaginar muito bem" Kehl participando da equipe de lendas.

Quem ocupa agora o posto de diretor esportivo é Ole Book. Entre os desafios que o aguardam está a definição sobre um possível retorno de Jadon Sancho ao Borussia. Já Kehl deve buscar novos ares: seu nome é ligado a uma vaga de diretor esportivo no Hamburger SV, clube no qual o ex-jogador de 46 anos teria mais poder de decisão. Mas seu próximo destino ainda não está definido.





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