Por Pedro Henrique Oliveira / Contato: Twitter @_PedroDuartee

Coluna do Pedro - O dia 14 de março é importantíssimo para o Borussia Dortmund e para a torcida aurinegra. Neste dia, em 2005, o clube alemão quase chegou à falência e decidiu mudar os seus hábitos financeiros, mas como o time chegou lá? E melhor, como conseguiu se salvar? As respostas dessas perguntas refletem alguns comportamentos observados ainda nos dias de hoje.
A década de 90 em Dortmund foi um conto de fadas. A diretoria foi ao mercado e trouxe nomes que hoje são lembrados como lendas entre os torcedores, como Jan Koller e o brasileiro Amoroso. O criador do museu do Borussia, Olaf Suplicki, diz que “o que imperava era uma atmosfera de estrelismo e arrogância, que mudou completamente a relação com os torcedores”. Os gastos exorbitantes e até midiáticos deram retorno em 1997, ano no qual o clube foi campeão da Champions League e do Mundial de Clubes de maneira inédita (até hoje). Isso fez os dirigentes acreditarem que estavam no caminho do sucesso, mas eles iriam descobrir mais tarde que estavam redondamente errados.
Em 1998, o Borussia Dortmund chegou à semifinal da Champions League contra o Real Madrid, mas acabou eliminado para a equipe espanhola. A partir desse momento, toda a irresponsabilidade dos comandantes começou, pouco a pouco, a ficar nítida. Na temporada 1999/2000 o Dortmund despencou na tabela, chegou a flertar com o rebaixamento e foi salvo por uma velha dupla, formada pelo ex-jogador e ídolo Michael Zorc, que era o gerente de negócios, e Matthias Sammer, que se tornou assistente técnico.
Em 2002 as coisas ficaram mais claras. O Borussia Dortmund foi campeão nacional sob o comando de Sammer, mas para isso gastou até o que não tinha em contratações. Antes de falar da dívida aurinegra é preciso falar que, em 2000, o clube se tornou o primeiro time alemão listado publicamente na bolsa de Frankfurt. A ação injetou cerca de 90 milhões de euros, mas trouxe responsabilidades com os investidores.
Sem controle de gastos, o tradicional time da cidade do Vale do Ruhr realizou uma reforma no estádio, abriu uma agência de viagens, uma empresa de internet e tentou criar a própria fornecedora de materiais esportivos. Essa situação foi agravada com a não classificação para a Champions League no ano de 2003. Apesar dos dirigentes negarem publicamente a situação delicadíssima, ela ficou evidente quando o clube se viu obrigado a hipotecar o Westfalenstadion e ceder os “naming rights” à Signal Iduna, empresa que até hoje estampa sua marca no nome do estádio.
A situação ficou tão complicada que a diretoria aurinegra pediu um empréstimo de 2 milhões de euros ao Bayern de Munique. A equipe bávara forneceu a quantia pedida, mas não era o suficiente. O BVB estava respirando por aparelhos até o dia 14 de março de 2005. De acordo com o jornal The Guardian, investidores da equipe se reuniram em um prédio no aeroporto de Düsseldorf para ouvir um representante do Dortmund. Eles foram informados que o clube não poderia pagar imediatamente o investimento feito e que seria apresentado um plano de resgate. Os investidores poderiam votar a favor do plano, o que salvaria o Borussia Dortmund, ou contra, o que o levaria à falência. No meio da tarde do dia 14 de março de 2005 o time foi salvo.
A reestruturação passou por dois pontos: a torcida e o seu novo CEO, Hans-Joachim Watzke. Os fanáticos pelo clube entenderam a necessidade do seu suporte durante o período delicado. Alguns membros das torcidas organizadas chegaram a ser contratados para trabalhar para a organização. Watzke, utilizando a ideia de que o Dortmund deveria ser gerido como se fosse uma empresa, contratou a consultoria alemã Roland Berger para colocar as finanças nos trilhos. Mesmo assim, uma injeção de dinheiro ainda era necessária, então o BVB pegou um empréstimo de 125 milhões de euros de um banco americano. Aproveitou para comprar de volta o seu estádio, símbolo do time e da torcida, e investiu nas categorias de base.
Somado a reestruturação da saúde financeira, Watzke também implementou uma nova ideologia de jogo. O Borussia Dortmund passaria a ter um futebol extremamente ofensivo, com jogadas verticais para pressionar ao máximo o adversário. De acordo com ele e com Michael Zorc, diretor-esportivo, o investimento nas categorias de base favoreceria esse estilo de jogo. Com essa ideia em mente, o técnico Jürgen Klopp foi contratado para levar os aurinegros ao topo novamente.
Após quase falir em 2005, o time da cidade de Dortmund chegou à final da Champions League novamente na temporada 2012/2013. Klopp conquistou com o BVB a Bundesliga nas temporadas 2010/2011 e 2011/2012, a Copa da Alemanha em 2012 e a Supercopa da Alemanha em 2013 e 2014.
É uma história de ressurreição. O dia 14 de março é lembrado pelos torcedores aurinegros como a segunda fundação do Borussia Dortmund e serve para lembrar, tanto os dirigentes quanto a torcida, o quão perto o clube passou do seu fim. As críticas ao desempenho e a falta de títulos devem ser feitas, mas cabe à diretoria aceitar a situação financeira e não realizar as mesmas loucuras que as gestões anteriores fizeram para levar a equipe à glória. Tudo tem um preço. A irresponsabilidade cobra, na maioria das vezes, o mais alto preço, mas o Borussia Dortmund parece ter aprendido sua lição. Nas palavras de Hans-Joachim Watzke, “nesse clube, apenas gastamos o dinheiro que ganhamos. Esse é o nosso paradigma, e é assim que continuará”.
Por Pedro Henrique Oliveira / Contato: Twitter @_PedroDuartee
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