Por Pedro Henrique Oliveira / Contato: Twitter @_PedroDuartee

Coluna do Pedro - O fim da Bundesliga chegou e com isso a avaliação da temporada 2018/2019 do Borussia Dortmund. Para contabilizar oda a temporada da equipe, é necessário ressaltar que o time chegou à última rodada do campeonato com chances de ser campeão. A probabilidade era pequena, não há como negar, mas ela existia.
Para se sagrar campeão, os aurinegros precisavam vencer o Borussia Mönchengladbach fora de casa e ainda torcer para que o Eintracht Frankfurt contra o Bayern de Munique na Allianz Arena. O empate no jogo de Munique não resolvia a parada para o BVB, já que os bávaros possuíam um saldo de gols muito maior que a equipe de Dortmund.
Vale a pena lembrar que, na última temporada, o Borussia não conseguiu uma boa colocação. Os aurinegros terminaram na quarta posição, viram o Bayern erguer a Salva de Pratas pela sexta vez consecutiva e ainda tiveram que olhar o Schalke 04, seu arquirrival, terminar como vice-campeão. Fato é que a temporada de 18/19 começou como uma incógnita no vale do Ruhr. Não se sabia ao certo qual Borussia Dortmund iria aparecer ao longo da nova época. Alguns apontavam que seria aquele estilo aguerrido, característico do Klopp de 2012/2013, outros falavam que seria o time sonolento de Peter Bosz.
A chegada de Lucien Favre era uma interrogação. O caminho a ser percorrido era grande. A diretoria, de forma questionável, se movimentou durante a janela de transferências. O adjetivo questionável é porque tanto Michael Zorc quanto Hans-Joachim Watzke não reforçaram a região mais vulnerável da equipe, a zaga. As únicas contratações no setor foram de Abdou Diallo e Leonardo Balerdi, que são atletas que não chegaram para resolver os problemas da defesa, muito menos ocupar o espaço que foi deixado por Sokratis. Isso não significa que a diretoria não tenha acertado em outros nomes. As contratações de Witsel, Delaney e Alcácer foram fundamentais para a construção do time, não obstante ainda assim seria necessário um olhar com um pouco mais de carinho para o setor defensivo.
Os aurinegros venceram o Bayern no Signal Iduna Park no primeiro turno e chegaram a abrir nove pontos na liderança da Bundesliga, porém alguns resultados fizeram com que a equipe perdesse terreno, oportunidade para o Bayern assumir a ponta da competição. O jogo contra o Hoffenheim foi um marco. Naquela ocasião, o Borussia vencia a partida por 3 a 0, e deixou o time visitante empatar o jogo no espaço de 25 minutos. O derby contra o Schalke 04 também mostrou falta de psicológico da equipe aurinegra, que saiu na frente, tomou gols bobos e ainda teve duas expulsões, de Marco Reus e Wolf. Mesmo após esses dois episódios, a equipe de Dortmund voltou a falhar contra o Werder Bremen. Fora de casa, o time abriu 2 a 0 com Pulisic e Alcácer e viu os mandantes destruírem sua vantagem em cinco minutos. Se o Borussia tivesse ganho o jogo contra o Hoffenheim e contra o Bremen, ocasiões que era necessário apenas segurar o resultado, hoje estaria comemorando a conquista do campeonato.
O que ainda falta para o Borussia é regularidade nos jogos decisivos, nos momentos-chave da temporada. Isso significa que o trabalho de Lucien Favre é ruim ou deva ser interrompido? Não. Na temporada passada a equipe conquistou apenas 55 pontos. Na atual, foram 76. A melhora é perceptível e o trabalho deve ser respaldado, com contratações em setores menos abundantes do time.
Uma das questões que foi levantada pela torcida é que os membros da diretoria, principalmente o presidente Rauball, o CEO Hans-Joachim Watzke e o diretor esportivo Michael Zorc, não possuem uma mente vencedora para levar a equipe aurinegra ao caminho dos títulos. Com poucas contratações e nomes de pouco peso, a torcida não poupou críticas aos cartolas.
Para a próxima temporada, o Borussia já possui um acordo com Thorgan Hazard, meia que está no Mönchengladbach e irmão da estrela belga Eden Hazard. Falta acerto nos valores da transferência. Já o lateral esquerdo, Nico Schulz, que estava no Hoffenheim, já fechou com os aurinegros.
Fato é que, após a partida contra o Schalke a continuação do técnico Favre foi questionada, já que o suíço mostrou ter desistido do campeonato após o resultado adverso dentro do Signal Iduna Park. O nome que foi cogitado é o de Florian Kohfeldt, que atualmente treina o Werder Bremen, mas a diretoria garantiu que conta com o suíço para dar prosseguimento ao seu trabalho.
A atual temporada é, indubitavelmente, melhor que a de 2017/2018. Não dá para esperar que um time passe da quarta colocação para campeão no ano seguinte. É claro que as atuações, principalmente no primeiro turno, criaram grandes expectativas na torcida, mas é completamente compreensível que um time em formação tenha oscilações, até por ser a primeira temporada de trabalho de Favre no comando técnico. O sarrafo muito alto, consequência das belas partidas, fez com que todos esperassem algo que a equipe ainda não é capaz de fazer: ter regularidade nos momentos decisivos ao longo da temporada.
Por Pedro Henrique Oliveira / Contato: Twitter @_PedroDuartee
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