Texto por Colaborador: A. Rother 23/04/2026 - 03:00

O Borussia Dortmund se encaminha para encerrar a temporada com a vaga na Champions League garantida. Em termos de tabela, o objetivo está praticamente cumprido. Mas o caminho percorrido nas últimas semanas levanta dúvidas que vão além dos números — e que podem pesar na hora de planejar o futuro do clube.

As discussões sobre o real nível da equipe acompanham o BVB ao longo de toda a temporada. De um lado, a regularidade na Bundesliga e uma boa pontuação. Do outro, atuações pouco convincentes, especialmente nos jogos contra rivais diretos.

Esse cenário ganhou contornos mais preocupantes nas últimas rodadas. Duas derrotas seguidas — para o Bayer Leverkusen e a TSG Hoffenheim — reacenderam o debate. Antes disso, o Dortmund havia vencido o VfB Stuttgart de forma bastante eficiente, mas com pouquíssimas oportunidades criadas: dois gols em apenas dois chutes. O desempenho irregular torna cada partida do BVB uma incógnita difícil de resolver.

Ofensiva sem criatividade
Os dados dos últimos três jogos revelam a fragilidade ofensiva: foram 27 finalizações com um xG (gols esperados) de 2,61 — resultado em apenas três gols marcados. Contra o Hoffenheim, ficou evidente a falta de profundidade e criatividade no ataque. As jogadas de perigo ficaram concentradas em iniciativas individuais, como as de Serhou Guirassy, sem respaldo coletivo.

Mas o ponto que mais preocupa o técnico Niko Kovac vai além da efetividade nos gols. O treinador criticou abertamente a equipe pelo comportamento no primeiro tempo diante do Hoffenheim, apontando a falta de intensidade e de agressividade nos duelos como um problema central. Essa falta de "garra", como ele definiu, está presente nas últimas partidas e gera questionamentos sobre o estado mental do grupo.

Questões sem resposta
O momento escolhido para essa queda de rendimento é particularmente delicado. Enquanto a diretoria já trabalha na montagem do elenco para a próxima temporada, persistem perguntas sem resposta: a ausência de Felix Nmecha, peça importante na saída de bola, explica a falta de conexão no meio-campo? A equipe relaxou após praticamente assegurar os objetivos da temporada? Ou as dificuldades contra times mais qualificados denunciam falhas estruturais no elenco?

A responsabilidade da liderança
Responder a essas questões é tarefa do diretor esportivo Lars Ricken e do diretor de futebol Ole Book. O risco real é que um fim de temporada fraco apague a percepção positiva do trabalho feito ao longo dos meses anteriores.

Por isso, o BVB precisa encerrar a temporada não apenas com vitórias, mas com uma postura que transmita confiança. "Temos de mostrar que queremos ganhar os jogos — não só um pouquinho, mas com tudo o que temos", afirmou Ricken recentemente.

A forma como o Dortmund cruzar a linha de chegada desta temporada pode definir com que espírito o clube vai iniciar a próxima. E esse detalhe faz toda a diferença.