Blog da Carla - Quando pensamos em futebol europeu nos vem à cabeça o campeonato espanhol e suas equipes galáticas com craques caríssimos, ou então o italiano com suas esquadras tradicionais e sua forte e pesada defesa, ou ainda o campeonato inglês que mistura a tradição de quem inventou o futebol com os benefícios e inovações que o dinheiro pode trazer. As opções são muitas, todos excelentes campeonatos, muitos deles com os times favoritos a levantarem a "orelhuda" na final da Champions League. Porém, caro leitor, nenhuma das opções anteriores, apensar de sua indiscutível qualidade, é a liga mais rentável do mundo. Isso mesmo, nem Cristiano Ronaldo e Messi juntos garantem essa proeza para "La Liga". A soberana entre as competições nacionais de clubes de futebol é a nossa querida e velha Fußball-Bundesliga.

Assistida por mais de 200 países pela televisão, com jogos recebendo altos níveis de audiência, os alemães conseguem nos mostrar a receita do sucesso. A liga além de garantir bons patrocinadores se transforma em uma verdadeira máquina de fazer dinheiro. Com a exposição na mídia, as camisas tradicionais e suas torcidas dando shows semanais de paixão, alguns dos melhores jogadores do mundo além da temida "squad" da própria seleção alemã, todos são ingredientes para encher os olhos de qualquer telespectador. Dessa forma mais torcedores são cativados ao redor do mundo e logicamente produtos e camisas são vendidas como água Alemanha a fora. Além disso, grandes marcas investem nas transmissões já que além de celeiro de talentos uma liga de futebol também é quase um mercado público. Praticamente tudo que jogadores, "Wags" e torcida usam vira moda instantaneamente.

Porém não é só fora das fronteiras que os alemães mostram sua inteligência e perspicácia. Dentro do próprio país a Bundesliga rende muito. Alemães têm futebol como um de seus esportes favoritos, isso é mais do que justificado com os altos públicos nos jogos. Por exemplo, na temporada 2015/2016 média de 43.306 pagantes por jogo. Neste mesmo ano outras competições tiveram bem menos público: Premier League - Inglaterra (35.161), La Liga - Espanha (28.069), Lega Serie A - Itália (20.689), Ligue 1 - França (19.182) e Primeira Liga - Portugal (11.428). E o que dizer sobre a liga alemã na temporada passada? Nas suas cinco primeiras rodadas teve 42.531 pagantes, média maior do que as duas primeiras rodadas UEFA Champions League, em sua fase de grupos, com média de 39.929 torcedores. Ainda na temporada passada, o principal time continuou sendo o Borussia Dormtund com aproximadamente 80.000 torcedores, em segundo ficou o Bayern com aproximadamente 75 mil. Mesmo quando em fase ruim, onde logicamente os pagantes variam muito, os clubes tem a média ainda mais alta que em muitos países. Os alemães sabem como ninguém fazerem seu negócio prosperar.

Todo esse verdadeiro "business" e o posicionamento alemão de investir a longo prazo já rende frutos reais. O que dizer de sua seleção nacional? Há anos ela figura entre as principais potências nas copas e finamente em 2014 teve seu triunfo. Recentemente na Copa das Confederações outra prova do investimento acertado, o título com uma esquadra composta por nomes ainda jovens já pensando na renovação após a aposentadoria dos veteranos consagrados. Mais uma vez os alemães dão uma aula de como ter sucesso em futebol: o jogo não se ganha apenas dentro das quatro linhas. Quem dera que muitos aqui no Brasil entendessem essa verdade.

Mas você deve estar se perguntando sobre onde o Borussia Dortmund se encaixa nisso. Pois bem as "abelhas" assim como outras equipes são as principais beneficiadas. Não só pelo aumento de torcedores e o seu lucro com produtos oficiais e ingressos, mas os clubes têm a oportunidade de transformarem seus nomes em marcas de sucesso e confiança. Com isso atraem atenção de jogadores que anseiam por participar da liga e nela escreverem seus nomes na história. Isso fortalece o campeonato, propicia jogos de alto nível e obriga cada vez mais os clubes a melhorarem seu rendimento. Além de melhorias nos aspectos gerais da competição como infraestrutura de centros de treinamento, estádios modernos e confortáveis e tecnologia de ponta a serviço do futebol. Todos esses aspectos podem até parecerem secundários mais são extremamente importantes para o bom funcionamento dos jogos.

E nesse jogo de economia o Borussia bate um bolão e sabe investir. Apesar do crescimento da torcida de clubes rivais nos últimos anos, como o Bayern München, por exemplo, o Dortmund ainda reina soberano como torcida que mais cresce. Isso não só fortalece o time no sentido de um apoio cada vez maior do décimo segundo jogador e uma muralha amarela cada vez mais forte, como também fortalece o próprio clube ao torná-lo ainda mais tradicional e importante no cenário mundial.  E, claro, transformando o Dortmund em objeto de desejo para muitos jogadores almejarem aqui se desenvolverem, desde grandes craques famosos em janelas de transferência até jovens promessas para as categorias de base. Tudo isso contribui para que o Borussia tenha uma equipe  mais competitiva e possa voltar a brigar por títulos nas competições das quais participa. Aliás, ainda esperamos todo esse investimento dar frutos. Quem sabe nessa temporada?

Mas esse trabalho ainda não está terminado. Ainda há muito para os alemães fazerem por sua liga nacional. Principalmente pela pergunta que fica em nossa mente depois dessa análise. Por que, se a Bundesliga é a liga que mais cresce e rende mundialmente, além de ter o maior público, ela ainda não é a que vem em primeiro lugar no imaginário do fã de futebol? Os alemães ainda precisam trilhar um longo caminho para se tornarem de fato a principal liga europeia, desde atrair mais jogadores de calibre mundial para seus times, investimento em publicidade, e os clubes precisam contar com o ingrediente extra de um pouco de carisma para conquistarem o exigente público futebolístico. Mas uma coisa é certa, assim como nas últimas copas do mundo, os alemães não estão para brincadeira. Quem sabe no futuro a Bundesliga não reine única e soberana nos corações mundo a fora?

Por Carla Taissa / Contato: Twitter @cahtaissa